quinta-feira, 5 de abril de 2012


procuro entre folhas secas, folhas já sem vida, o eu que se foi perdendo com o tempo. o ser tão forte que se mantinha de pé em todas as batalhas, que derrotava as maiores pedras e que entre a solidão do mundo encontrava um pequeno resguardo para si mesma. caminha entre os trilhos, solitária e com as mãos entre os bolsos, agarrando o telemóvel, esperando que alguém sinta falta do seu aroma, ou do seu doce olhar ou da pureza da simplicidade das palavras. cai em todas as pedras e a força que a trouxe até aqui, não a consegue levar de volta. pára em todos os atalhos, esperando que alguém a acolha, ou que percebam as lágrimas que carrega. mulher de armas, tornou-se um ser frágil que se limita a caminhar. ajuda os seus, mas nunca deixa ser ajudada. pessoa complexa de vários complexos e guardiã de diversos segredos. abre as mãos ao mundo e fecha os olhos perante as suas mágoas (..) procuro entre folhas secas, folhas já sem vida, o eu que se foi perdendo com o tempo.

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